Quinta-feira, 11 de Novembro de 2004

Arena da Justiça



Enquanto te vejo chegar com lábios que entoam canções de luto.
Naufrago na reminiscência de quem se viu como um ser astuto.
Tornaste-te mão vermelha que empunha adaga assassina.
Ser morto em vida pelo meu terno amor é a minha triste sina.
Numa pena que transcende tudo o que possa ser contado.
Que já teve flores que desabrochavam com incólume pecado.
As sombras trémulas desconcertam todo o olho atento.
E faço companhia a todos os corvos num eterno lamento.
Para além da neblina ouço risos vingativos e contentes.
Que vêm em quadrigas guiadas por fantasmas dementes.
Os escudos da sua mágoa passada brilham alto ao Sol de Outono.
E aguardo a lança final que me coloque para lá do abandono.
publicado por crowe às 11:50
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