Terça-feira, 17 de Outubro de 2006

Always look twice when you cross the street! Part II

Aquele som continuava a martelar-me a cabeça, o pássaro negro, poisado na ombreira da janela continuava a debicar o vidro, como que a querer dizer-me algo.

Observei-o atentamente, mas o meu sexto sentido não me dizia nada, nem agora nem da vez anterior que não me alertou para a aproximação daquele indivíduo, quem seria? Um marginal que passou por ali casualmente ou alguém á minha espera com o intuito de me assaltar ou de simplesmente me deixar naquele estado? Novamente o meu instinto nada respondia, não conseguia vislumbrar nada para além do cheiro a éter, pelo menos agora o cheiro a sangue e a vomitado já se tinham ido. Mas o pássaro continuava ali, insistentemente a debicar o vidro, como se quisesse testemunhar algo, eu vi tudo eu posso contar, ouvi a Rita a gritar,  “ cuidado”  e ele a esfaquear-te como se tivesse uma raiva incontida, como se  lhe tivesses feito algum mal.

Tentei recordar-me da sua face, mas a letargia invadiu-me novamente, a vontade de me aninhar em mim mesma, deixar-me ficar naquela posição fetal, envolta em lençóis brancos, abraçada pelo silencio apenas quebrado pela matraquear do bico no vidro.

Alguém entrou no quarto, deixei-me ficar como se estivesse a dormir. Pressenti um vulto, uma presença junto a mim,  media-me a tensão, tirava-me a febre, ao sentir o contacto na orelha não deixei de estremecer. Abri lentamente os olhos vi uma enfermeira a sorrir entendendo-me um copo com agua e uns comprimidos. Tentei falar mas fez gesto universal do silencio e saiu assim como entrara de mansinho como não quisesse incomodar.

Até o asa negra tinha deixado de bicar o vidro e observava atentamente em pose de quem vai atacar ao mínimo movimento suspeito, era impressão minha ou parecia-me que sorria, quase que conseguia ver um sorriso no seu bico negro, e um leve piscar de olhos. Abriu as asas como a querer envolver-me num manto protector e adormeci de novo, um sono sem sonhos.

 

 

Quantas vezes na vida depara-mos com os indícios, eles estão lá, mas por uma razão ou por outra não lhes ligamos. Ou porque estamos distraídos, menos atentos, ás vezes mais frágeis, ou porque simplesmente pensamos que aqueles sinais não são para mim, é impossível isto não pode estar a acontecer. Então refugiamo-nos cada vez mais em nós próprios e ignoramos todos os alertas. Até que um dia o destino, o acaso, ou outra coisa qualquer atira-nos ao chão e deixa-nos prostrado, sem reacção apenas recebemos um grito de aviso, mas mesmo assim já é tarde demais. Por vezes temos a sorte de ter um anjo da guarda, pode ser qualquer coisa, até um asas negras, mas por outras vezes isso não acontece. Mas porque raios não olha-mos duas vezes antes de atravessar??

Estou:
publicado por Passo às 10:47
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3 comentários:
De luna a 18 de Outubro de 2006 às 15:46
felizmente que há anjos sim... mas lembra-te que os seus olhos também piscam... beijo rubro
De Sutra a 18 de Outubro de 2006 às 23:12
Hum...
Gostaria de poder dizer-te que entendi ao que te referes.
Mas, prefiro guardar e não dizer.

Beijo doce

ps - as melhoras
De PrincesaVirtual a 22 de Outubro de 2006 às 20:00
Não tinha lido a primeira parte escrita pela crowe...confesso que gostei de ambas :)

Há uma velha frase que muitas vezes elimina os indicios (isto generalizando e não particularizando para o caso deste conto) que é «quem não arrisca não petisca» ;)

Beijinhos a ambos :D

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