Terça-feira, 11 de Janeiro de 2005

Marés de Fogo III- (A versão do Dj)

Uma noite como outra qualquer.
Já se tinha tornado um habito, limitava-me a colocar CD atrás de CD, num desenrolar de musicas como um magico q as vai sacando de uma cartola, num ritmo já conhecido de tantas e tantas noites num ambiente de fumo, sombras como um qualquer mito de nevoeiros fadas e seus consortes onde uma mescla de adolescentes, abanando-se ao ritmo das batidas dos graves, tentando mostrar a sua “arte” como pavões em época de cio. Alguns casais tentavam um misto de dança e bailados onde os ventres dançavam ao som da música q eu tentavam passar como sendo algo “in”.
Alguém chamou pelo DJ... – epá bota esta música. É fixe!”- senti-me como um rádio comediante de músicas pedidas. Mas e porque não?!... Sorri, não estava incluída no rol da noite mas porque não satisfazer um pedido, e sempre era algo de diferente que quebra a rotina.
Corpos oscilaram, bateram em frenesim deixei-me levar por aquele transe e olhei a multidão sem a ver realmente, focando um ponto. Uns lábios azuis que sorriam (não para mim) para alguém, uns olhos de bronze, colocados à sua frente e que se agitavam ao som da música, corpos balançando em sintonia ao sabor da corrente eléctrica da sala. Numa das ondas da maré humana lábios que se roçam talvez por arrasto dessa onda… talvez porque desde que existe homem e mulher essas coisas simplesmente acontecem. Fiquei na sensação de ter sido a primeira, pois os lábios azuis quedaram mudos, olhos postos no chão como que petrificada, deixou de haver música, apenas uma sensação nos lábios tal qual formigueiro que se transforma em fogo. Fogo esse que, tolda os olhos de bronze como um vulcão prestes a transbordar, mas que não têm a coragem de explodir pois temem devastar tudo à sua volta.
A música continuou ao seu ritmo próprio voltando a onda à sua normalidade mas debaixo do mar agitam-se as correntes, vulcões escondidos, lábios azuis que se quedam mudos, olhos de bronze que contêm chamas.
A noite correu para o seu fim, músicas passavam e a maré continuava ao seu próprio ritmo. Chegou a hora de ir, há sempre um “terminus” para tudo e porque não fechar como nos meus anos de adolescência ao ritmo de um slow. Lábios azuis que sorriem repentinamente incendiados por olhos de bronze, corpos escaldantes que se aproximam onde tudo o mais não importa como se já não importasse a musica as gentes que os rodeia apenas aquele fogo que tudo devora e deixa faminto.
A música termina, as luzes esmorecem e a onda sai como a maré q esvaziou arrastando com ela tudo e todos.
Arrumar a tralha, ajudar nas limpezas, trocar umas ideias com os colegas, brincar um pouco desanuviar de mais uma noite que se passou sem incidentes apenas aquela vaga de calor, brincar mais um pouco e sair pois o sol já disse olá e a logo será outra noite.
Parar na pastelaria do costume tomar o pequeno-almoço e seguir para o comboio pois a viagem ainda é longa.
Acordo... sinto alguém a perguntar-me “ bilhete se faz favor” mostra o passe, abro os olhos e vejo lábios azuis já sem calor, apenas se ouve um murmúrio. Olho-a, ali mesmo, sentada à minha frente, mas desvia o olhar pois parece não me reconhecer.
Que terá acontecido? Para onde terá ido o fogo, ter-se-á perdido no meio da maré?
Saímos na mesma paragem. Segue na mesma direcção que eu. Vou andando um pouco mais atrás, sem brilho nem calor segue num devaneio. Entra numa porta que me é familiar, sigo em frente pois faltou-me o tabaco.
Na conversa com os velhotes do costume – atão pá que tal a noite? Tu deve ser só gajas”, e riem-se.
Digo que sim e sigo para aquela porta que me lembra algo, subo as escadas abro a porta, atrás de mim uma porta abre-se, alguém sai, volto-me e vejo olhos de bronze, já sem brilho, para onde foi todo aquele fogo, vem sem brilho como quem perdeu algo de muito valioso e nunca mais vai reaver.
Entro, sinto sono, cansaço. Não tiro a roupa, deito-me, afinal foi uma noite como as outras!

@Autor: Passodianisto
e publicado por mim porque ele deve ter tido vergonha!;)
publicado por crowe às 20:42
link do post | comentar | favorito
|
7 comentários:
De pluma a 14 de Janeiro de 2005 às 10:19
Já li os 3 contos, calmamente...não os podia ler de outra forma. Por isso ainda não tinha comentado :)))

Gostei imenso, mas confesso que para mim a revelação é o Passo, sem querer tirar o «mérito» aos outros, especialmente á Crowe porque a conheço melhor, porque a leio, e por isso sei que é uma «menina intensa», não poderia esperar menos dela do que akilo que escreveu :)))

Quanto ao Passo bom estou «encantada», conheço a sua veia poética...mas há qq coisa que ele coloca aqui que não se vislumbra nos poemas :))) adoreiiiiiii...estão os 3 de parabéns )crowe, killi e Passo)

beijo
De Passo a 12 de Janeiro de 2005 às 14:33
Brigadu pela parte q me toca homy .. fica registado o desafio .. kem sabe um dia n tente :-)
De Cass... a 12 de Janeiro de 2005 às 14:24
Pois eu, apesar de ter achado giro esta vossa 'trilogia ehehe... acho que o meu "homonimo" Passodianisto deveria escrever um conto so dele... penso que ficaria magnifico se ele conseguisse nele fazer transparecer o que lhe vai na alma. Um beijo... enorme !
De bliblibli a 12 de Janeiro de 2005 às 09:53
Crowe, Killi, Passito, li os três actos de fogo e só vos digo que senti o calor, e que tal fazerem um ensaio do oposto? Beijos muitos.
De Killi a 12 de Janeiro de 2005 às 00:53
Amigo Passo, tive o prazer de lêr o que escreveste antes de ser publicado.Como tal tb tive oportunidade de "dizer" á Crowe o qto tinha gostado.Mas como acho que é a ti que o tenho de "dizer"...Parabéns.Apanhaste a ideia de um modo genial.Apesar de ser pouco elegante comentar o que escrevemos creio que deveremos ser os nossos mais ferozes criticos...e pq não elogiar se realmente gostamos???Este "tríplice" está fantástico.Deu-me um prazer enorme escrever a minha versão e mais prazer me deu qd imprimi os três contos e os juntei. Fica uma dica....Leiam o da Crowe em 1º, o meu em 2º e o do Passo em 3º.Tá muito bom mesmo (e eu não sou de me alongar em comentários e elogios.)
Para ti Passo, um abraço. Gostei do que li.
De Lobaaaaaaaaaaaaaaaaaa a 11 de Janeiro de 2005 às 21:26
Comento aqui as tres...Fantástico... Continuem neste estilo! Beijos. (E agora a versão de alguém que observa a cena... eheheehh ... que tal?)
De Crowe a 11 de Janeiro de 2005 às 20:53
A verdade tem sempre 3 versões! Aplaudo a tua! beijos carinhosos

Comentar post

§Quase tudo Sobre Nós

§ crowe

§ Passo

§pesquisar

 

§Dezembro 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

§Versus recentes

§ Momentos

§ Mais um!!!!

§ Noite

§ Tu e Eu ... Nós

§ Toca-me

§ Para uma amiga

§ Sou do campo

§ Corvo também entra ... co...

§ Aceitam-se sugestões... ;...

§ Mais um desafio

§Já em papirus

§ Dezembro 2008

§ Abril 2008

§ Março 2008

§ Dezembro 2007

§ Novembro 2007

§ Outubro 2007

§ Setembro 2007

§ Junho 2007

§ Maio 2007

§ Abril 2007

§ Março 2007

§ Fevereiro 2007

§ Janeiro 2007

§ Dezembro 2006

§ Novembro 2006

§ Outubro 2006

§ Setembro 2006

§ Julho 2006

§ Junho 2006

§ Maio 2006

§ Abril 2006

§ Março 2006

§ Fevereiro 2006

§ Janeiro 2006

§ Dezembro 2005

§ Novembro 2005

§ Outubro 2005

§ Setembro 2005

§ Agosto 2005

§ Julho 2005

§ Junho 2005

§ Maio 2005

§ Abril 2005

§ Março 2005

§ Fevereiro 2005

§ Janeiro 2005

§ Dezembro 2004

§ Novembro 2004

§participar

§ participe neste blog

blogs SAPO

§subscrever feeds