Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2006

A essência das coisas

O ser humano é um lugar estranho. Há desde muito tempo que tenho tentado chegar a uma conclusão abalizada sobre aquilo que é a força mais poderosa que o ser humano já experimentou. Por ser antigo, ter barbas, e ser um senhor respeitável, o Tempo lidera esta tabela. O tempo cura tudo, segundo dizem. Tal cariz terapêutico teria que ser tido, logicamente, em linha de conta, aquando de dissertações acerca desta matéria. Pessoas como eu consideram também o sentimento de perda uma coisa a classificar na lista das emoções poderosas, se bem que não tão positivas. Devasta tudo à sua frente, não se compadece com bondades ou sensibilidades, é um demónio célere na escravatura mas avaro na libertação. Mascara sentimentos, que tidos em dias felizes eram duvidáveis, transformando-os na certeza mais horripilante que alguém pode sentir. Apenas porque chove agora e parece que as certezas mais ou menos cataclismicas brotam que nem cogumelos nestas alturas? E se os sentimentos não eram duvidáveis, mesmo nos dias felizes? O tempo, mais uma vez, apazigua tudo e cola os cacos, apanha os cogumelos. É um senhor poderoso o Tempo, braço direito da Natureza e do Pai de tudo, é um senhor truculento, acirra-nos o ódio, mas também nos purifica a alma. O amor. Ah sim, o amor. O romantismo inerente a esta emoção empola ainda mais a sua força. O amor é o destruidor mor, a intempérie que parece nunca ter fim, quando se alia ao sentimento de perda. Juntos, testam as sanidades e as vontades mais fortes, vergando-as até à sua expressão mais infíma. Faz-nos sentir do tamanho e com a importãncia de uma amiba. Mas o amor não é só isto. Apesar de ser mais jovem que o Tempo, apesar de ser mentiroso e assassino, o amor ainda é a razão pela qual o Tempo existe. Para o provar, para o desmentir, para o fazer morrer e ressuscitar. O tempo e o amor têm uma relação que nunca será bem percebida, uma ligação cúmplice que aponta o caminho e o desnorteia a seguir. Todos nós, pequenos seres, similares na nossa insignificância, apenas podemos esperar ser bafejados por um e pelo outro.
publicado por crowe às 23:54
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6 comentários:
De Cass a 20 de Fevereiro de 2006 às 18:58
....... Meu lindo amigo.... a unica palavra que se me 'assuma neste momento é...:
FANTASTICO!
Espero é que n seja um texto, baseado em experiencia propria :)
Tu mereces sentir o oposto... de todas aquelas 'duvidas e...sentimentos de... perca...
Um beijo
De Mad a 20 de Fevereiro de 2006 às 18:30
Gostei imenso e se a maior parte do q se escreve por aqui me passa ao lado, este texto acertou em cheio. Continua assim.
De igara a 20 de Fevereiro de 2006 às 14:45
Oh Amigo Utopia, fiquei fascinada pelo teu poder de sintese. Nunca me passou pela cabeça resumir a vida a Amor e Tempo. Mas como a ti te passam coisas que não passam a mais ninguém, e como depois, para brindar o facto, te consegues fazer exprimir como ninguém, fico rendida ás coisas que escreves, aplaudindo-te baixinho...Já agora, tenho saudades tuas, espero que o tempo, não me apague das tuas memórias hein? Beijo doce e manso ::)))
De Passo a 20 de Fevereiro de 2006 às 13:02
:) e eu agora q tenho tanto tempo, tempo p tudo e tempo p nada :s mas essencialmente tempo p mim q n tenho tempo nenhum :s heheh abraço
De Crowe a 19 de Fevereiro de 2006 às 19:26
Já tinha tentado comentar... espero que desta consiga mesmo! ;)
Sou uma eterna optimista... e espero conseguir manter pelo menos uma parte deste optimismo ao longo da vida! Gostei muitíssimooooooooooooooooo deste texto! beijos
De maestro a 16 de Fevereiro de 2006 às 13:38
Pois é bem verdade o ke tu dizes. Apesar de todas as contrariedades, de todo o sofrimento, e porque não dizer a alegria que comporta, o amor é ainda aquilo que move montanhas, que nos faz viver e procurar a felicidade. Sei ke não é facil. Sei que nem sempre o encontra, mas é esse o objectivo essencial da vida. Amar e ser amado. Um abraço

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