Sexta-feira, 30 de Setembro de 2005

Algemas

algemas.jpg


Preso,
em laços invisiveis,
a um olhar,
que deixa perdido,
cativo,
nas grilhetas,
de um abraço,
etereo,
sentido,
em corpos,
que não se tocam,
algemas,
de desejos,
eternos,
na clausura,
nua,
mantidos em silencios,
cativa,
mistério,
na clausura,
segredada,
pelos vozes sem som,
em amarras,
fortalecidas,
pelos tempos,
o sentir,
de tal cativo,
de quem cativa.

publicado por crowe às 07:32
link do post | comentar | ver comentários (7) | favorito
|
Quinta-feira, 29 de Setembro de 2005

Gladiadores

De pergunta em riste questionei o vazio.
Se fazia reféns do marasmo a que submete.
Se libertava, assim como quem promete.
Que a água nunca se despedirá do rio.

“Meu serás antes da hora a que o dia se rende”.
E o sorriso corrupto, arauto do descompasso.
Debruçou-se felino sobre o inocente traço.
Mastigando a vida que do olhar se desprende.

Expeli palavras de fogo no confuso entardecer.
Tochas de ânimo, dos sonhos fotografadas.
Que me velam a cabeceira em todas as alvoradas.
Nos dias magoados em que julgo enlouquecer.

publicado por crowe às 14:38
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|
Quarta-feira, 28 de Setembro de 2005

Ciúme

Horizonte.jpg
@ foto gentileza da minha homy Cassi :)

Bebia calmamente o seu café matinal, um dia solarengo sentado na esplanada do café do costume. A empregada, quando o vira aproximar colocou o café na sua mesa preferida. Já não precisava de pedir, ela viu-o, sorriu desejou-lhe o bom dia e deixou o café sobre a mesa.
Como sempre acontecia olhou-a longamente e só conseguiu balbuciar um bom dia, e como está. Por incrível que parecesse, pois era um homem vivido, com ar de quem não se deixa intimidar pela vida e pelas situações em que ela nos coloca, nunca conseguiu ir mais longe, falar da vida do tempo de qualquer coisa para além daquele bom dia.
Enquanto bebia o café foi-a observando. Um belo rosto, lábios cheios, sensuais, coroados por uns olhos verdes brilhantes, felinos,, emoldurado por uma cabeleira loira, sorriso fácil, ar de miúda traquina e uma bela silhueta, sensual. Sentiu o coração bater mais forte, o calor na sua face e a transpiração nas suas mãos.
Já frequentava aquele café há 3 anos e nunca tinha tido a coragem de passar a fronteira cliente/funcionária, não era que não o desejasse, mas sem saber porquê tinha-se mantido discreto sem nunca dar aquele passo que quebra as barreiras da intimidade, e entra num mundo mais pessoal. Acobardara-se com aquele olhar felideo, o sorriso traquina e deixara o tempo correr.
Mas naquele dia, ou soprou uma brisa diferente, talvez o sol tenha brilhado mais intensamente, ou o café era mais forte, enquanto deixava as moedas na mesa e ela se aproximava para as receber ele num rompante perguntou-lhe se ela não queria beber um café.
Ela ficou confusa e perguntou se ele queria outro café, ele ficou embaraçado, parecia que ia vacilar e disse claramente se ela não queria beber um café com ele, mas fora dali, daquele local longe das pessoas do costume.
Ela esboçou um largo sorriso e quando ia para responder alguém se aproximou a correr na sua direcção, abraçando-a e dando-lhe imensos beijos. Ele ficou ali suspenso como se não quisesse acreditar, ao longo destes anos nunca lhe tinha visto ninguém e logo hoje que se tinha decidido dar aquele passo, quebrar a barreira.
Sentiu uma raiva enorme a subir dentro de si, fechou os punhos o seu rosto ficou como se fosse o de uma estatua e quando voltava costas para se ir embora ouviu a sua voz cristalina. Não precisa de ficar com ciúmes, é o meu irmão e aceito sim. Amanhã é a minha folga pode ser ás 9.
Ele só conseguiu acenar com a cabeça que sim e saiu do local a toda a pressa sob o olhar embasbacado do irmão dela e para ninguém reparar no seu sorriso idiota de orelha a orelha...
publicado por crowe às 17:28
link do post | comentar | ver comentários (5) | favorito
|
Sexta-feira, 23 de Setembro de 2005

Herois

Heroi.jpg


Heróis,
altos loiros
morenos,
de todas as cores
feitios e tamanhos,
sabores
que correm em fúria
demanda
obsessiva
investindo em moinhos de vento
bandeiras defraldadas
gigantes alucinados
numa fuga desalmada
não em frente
por um bem maior
que desperta a vã gloria
o instante
que perdure
eternamente.

publicado por crowe às 15:13
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Quinta-feira, 22 de Setembro de 2005

A walk on the other side

Bem, caros amigos e amigas, ia para aqui começar a escrever um novo poema, que isto é blog de gente séria, mas...ahhh, aparafuse-se (para não dizer "screw it"). E que tal uma coisa diferente?Tenho para aqui inúmeros textos a apanhar bafio, confinados à prisão do Word, porque não partilhar alguns com o mundo?Here goes!

Vamos lá colocar alguma verdade nos mitos e acontecimentos do nosso conhecimento, vamos lá embarcar numa busca pela verdade acerca das reais motivações que levaram o Homem a fazer o que fez:

Porque razão saiu o homem da caverna, na famosa alegoria Platónica? Porque os companheiros do gajo peidavam-se a torto e a direito, (o que mais se pode fazer dentro de uma caverna, não é?) e o tipo já não aguentava tanto gás metano a entrar-lhe pelos pulmões, precisava urgentemente de apanhar ar fresco. Toda aquela coisa subsequencial das sombras, a dicotomia mundo verdadeiro/mundo falso, as correntes auto-impostas, a morte do eu verdadeiro, tudo isso veio por acréscimo. A força motriz foi o peido.

E porque é que Sócrates dizia que nada sabia? O homem estava esclerosado, por vezes tinha momentos de lucidez, e lembrava-se que já não sabia de nada (nem sequer onde morava, ainda bem que Atenas não era na altura a metrópole que é hoje em dia, senão ainda davam com ele em Chipre à procura do seu pequeno pardieiro) e quando os anciões lhe perguntavam a opinião dele, e ele a partilhava, era aplaudido. A maiêutica, a arte de dar à luz a verdade, as célebres esgrimas de argumentos com os sofistas, tudo falso, o que era verdade era a artero-esclerose. E era múltipla, também, porque havia muita gente à volta dele.

E Descartes? “Penso, logo existo”??!! Como é que ele explicaria as loiras? Será que elas não existem e todos nós, os quase 6 biliões de habitantes deste cantinho à beira galáxia plantado estamos a ser alvo de uma ilusão colectiva? Isso só pode ser coisa de alienígenas. Onde raio anda o Moulder quando precisamos dele? Moulder?? Moulder!!!?!

E Benjamim Franklin? Electricidade? Relâmpagos? Será que um homem não pode ter como hábito lançar o papagaio, sem que lhe digam logo que ele descobriu isto e aquilo? O homem teve azar, a ideia de lançar o papagaio num dia de enorme tempestade eléctrica teve consequências nefastas. O raio que ele aprisionou passou-lhe pelo corpo e deixou-lhe os pelos púbicos em pé durante meses (foi muito mau para a sua vida sexual da altura, ninguém mais se queria deitar com o hombre, chamavam-lhe o “Pica pica” nas suas costas..), para além de ter ficado a ouvir uma campainha de telefone até ao fim da vida (isto, claro está, se o Bell já tivesse tido a sua maravilhosa ideia…)

E porque razão os irmãos Wright decidiram (e decidiram mesmo!!! Teimosos!) que queriam voar? Os tipos eram baixitos, o maior dos 2 não passava dos 1.50m, e como tal não conseguiam espreitar para dentro dos decotes das belas senhoras de início de século, decotes generosos, que faziam germinar a libido dos nossos tetra-avós. Como a experiência com as andas não resultou lá muito bem (deixou um dos manos com um colete cervical durante semanas…) embarcaram na aventura do vento: vamos ver os decotes de cima! Tudo aquilo do avião, os voos de 120m, os pais da aviação, tudo treta, eles queriam eram mamas.

E o nosso exemplo nacional: a mim ninguém me demove que o Gago Coutinho e o Sacadura Cabral fizeram o que fizeram para ir ao Brasil trocar os nomes. Qual monumental projecto nacional, qual carapuça, qual “O Lusitânia Expresso vai dar na pá ao Spirit de St.Louis do Lindebergh” qual quê, eles queriam era ir ao Brasil trocar de nome, já que a leveza com que o nosso povo irmão leva a vida permite fazer muita coisa. E convenhamos, crescer em Portugal, viver na maledicência dos adolescentes portugueses com nomes como Gago e Sacadura não deve ter sido fácil: Comentários jocosos “Est est est estás bo bo bom Cou Cou Cou Cou Coutinho??” ou “É Carnaval/Ninguém leva a mal/ vamos atira calhaus/ ao Sacadura Cabral” devem ter deixado marcas profundas…
publicado por crowe às 01:22
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
|
Segunda-feira, 19 de Setembro de 2005

Saudade

Saudades do que nunca tive
do que nunca fiz
de onde nunca fui
saudade que me deixa a pensar
se o que não escolhi
poderia a minha saudade
matar.

Ola pessoal já tinha saudades vossas, aqui estou eu de volta para vos melgar mais uns tempos :)
publicado por crowe às 09:40
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Segunda-feira, 12 de Setembro de 2005

Soluço

Que dizer do que não foi sem deixar de ser?
Que sentir depois de um beijo pilhado?
Balão esvaziado sem fôlego para novo encher.
Na angústia do soluço feito passado.

publicado por crowe às 21:53
link do post | comentar | ver comentários (9) | favorito
|

§Quase tudo Sobre Nós

§ crowe

§ Passo

§pesquisar

 

§Dezembro 2008

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

§Versus recentes

§ Momentos

§ Mais um!!!!

§ Noite

§ Tu e Eu ... Nós

§ Toca-me

§ Para uma amiga

§ Sou do campo

§ Corvo também entra ... co...

§ Aceitam-se sugestões... ;...

§ Mais um desafio

§Já em papirus

§ Dezembro 2008

§ Abril 2008

§ Março 2008

§ Dezembro 2007

§ Novembro 2007

§ Outubro 2007

§ Setembro 2007

§ Junho 2007

§ Maio 2007

§ Abril 2007

§ Março 2007

§ Fevereiro 2007

§ Janeiro 2007

§ Dezembro 2006

§ Novembro 2006

§ Outubro 2006

§ Setembro 2006

§ Julho 2006

§ Junho 2006

§ Maio 2006

§ Abril 2006

§ Março 2006

§ Fevereiro 2006

§ Janeiro 2006

§ Dezembro 2005

§ Novembro 2005

§ Outubro 2005

§ Setembro 2005

§ Agosto 2005

§ Julho 2005

§ Junho 2005

§ Maio 2005

§ Abril 2005

§ Março 2005

§ Fevereiro 2005

§ Janeiro 2005

§ Dezembro 2004

§ Novembro 2004

§participar

§ participe neste blog

blogs SAPO

§subscrever feeds